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Mostrando postagens de janeiro, 2026

FRAGMENTO DE FUGA

Ela não contou isso a ninguém, mas naquele dia algo mudou. Foi um dia difícil, e talvez ela não quisesse relembrar as cenas que doíam tanto. A atmosfera estava estranha, perceptível até para quem parecia insensível. Ela disse muitas coisas no momento em que extravasou suas emoções e não soube lidar com o peso da interpretação de tudo aquilo que se fala. Agora, o corpo parecia ter desaprendido a viver como antes. Em troca, mergulhava — sem defesa — na ousadia dos próprios sentimentos. Às vezes, ela se pegava presa na condição do “e se?”. Não porque acreditasse que algo mudaria, mas porque precisava se provar através de justificativas, para que talvez sua consciência permanecesse clara. Naquele dia, ela libertou uma parte que aprendera a esconder por medo do julgamento. Também foi o medo que a moveu — mas não o medo comum. Era o medo da incompreensão. O medo de tudo acabar e ela se tornar apenas fundo de papel. Ninguém percebeu que, na verdade, ela esteve a poucos passos de pôr um fim na...

DIVISÃO

O meu medo me limita, não posso arriscar. Como pensar em sonhos dos quais nunca sonhei? Parei para refletir e vi o quanto irracional é esse egoísmo, eu olho para um e vejo algo que não passou por mim, olho para outro e percebo a coragem que sempre esteve à vista. Vocês disseram, eu apenas brinquei, mas hoje percebo que me levei, não ouso avançar. Os olhos marejaram e os pequenos se tornaram grandes, a muralha não tinha mais o que proteger, mas como podem pedir que faça algo diferente do que fez por tanto tempo. Todos escolhem seus próprios caminhos e eu só sinto essa divisão pesando em meu coração. Mesmo que no fundo eu soubesse que houvesse um pequeno receio, não imaginaria que a hesitação seria grande demais a ponto de comprometer toda ousadia que ostento. Estou com medo, e finalmente admito.